Criaturas medíocres

2009 Novembro 22

 

Adam is Mediocre, upload feito originalmente por f/bomb.

Imerso num livro eu ouço alguém me perguntar:

-Você vai assistir que filme?
-Lua Nova
*pessoa e amigo soltam uma risada bem maldosa por conta da resposta e eu finjo que não ouvi*
Penso, depois, numa resposta não proferida:
-O que foi? O que tem de engraçado em assistir Lua Nova? Acho graça é em pagode e futebol, coisas que você adora…

Lamento ter formulado essa resposta milésimos de segundo depois, a oportunidade de virar o jogo já estava perdida.

Não consigo entender como pessoas (medíocres) conseguem se achar melhor que outras (tão mediocres quanto, claro). Não faz sentido. Mas percebo que é algo que acontece mesmo sem pensar, simplesmente vai e acontece. Sei sim o quão mediocre e ridículo eu sou, reflito também que não posso me achar melhor que ninguém por conta do que leio/ouço/faço… Pessoas diferentes, logo universos diferentes. Mas é a velha história de querer se sentir superior, mesmo em situações que o contrário é que o fato absurdamente verdadeiro.

De qualquer maneira fica aquele gosto ruim na boca, é estranho. Mas cheguei a conclusão que a virada não era necessária, era completamente descartável. Afinal lá no fundo sou muito medíocre, como todo o mundo.

Por fim abafo os pensamentos, respiro e mergulho novamente na leitura, é o melhor que faço.

negócios inacabados

2009 Novembro 12
Unfinished Painting, upload feito originalmente por Heather Miller.

I make a list everyday, but it fades

Must be the see through int in my veins

Ah, negócios e questões inacabadas… quem não tem? É algo que sempre me incomodou e minha lista é um tanto quanto longa.

Meu problema é que tenho uma mania imensa de inventar novos ‘problemas’ e questões, talvez por eu não ter problemas (reais) como as outras pessoas. É, masoquista sempre. Por conta disso começo muitas coisas, mas não concluo todas. (Ou seria quase nenhuma?) Sou inquieto mesmo.

O resultado disso é uma mente focada demais no futuro, ocupada em fazer uma lista de to-dos, viajando no tempo. Enquanto isso a ação está bem ali na frente, mas é ignorada em favor do sonho e da ilusão. E, num ciclo vicioso interminável, isso resulta em ainda mais e mais e mais coisas. A sensação é de que se avança muito pouco e que a mente está cansada…

Foco, foco, foco.

Truques para resolver? Tenho alguns. Mas no geral não são muito efetivos não… Acredito que o melhor seja fazer o possível para resistir às tentações, enquanto a mente se abstrai do mundo e de sua volta, bloqueando todo o ruído e toda a repetição.

Sendo assim faço uma lista todos os dias… mas no fim ela se perde no tempo-espaço.

Easy Action

2009 Outubro 26
por Farley

Boom Boom Satellites

All I want is easy action
Such an easy thing to loose Yeah!
All I want is easy action
Such an easy thing to loose Yeah!

All I want is easy action
Downward spiral into the ground
I’m bouncing along cuz I’m out of control
Goin faster and faster now

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Golden Time

2009 Outubro 20

Reach the Heavens, upload feito originalmente por Rooted..

Encontrarei a saída deste jogo de pressão infinita

E saltarei através da incerteza da honra

Mas o que preciso sacrificar para fazer isso acontecer?

O que não posso abandonar?

Fato inusitado: um dia um colega tirou um dia pra me contar as mazelas de sua vida. Reclamou de tudo que era possível; esmiuçou detalhadamente sua situação miserável; amaldiçoou o cosmos, o destino, o tempo, a vida. E ao fim, de maneira quase explícita, pediu conselhos. (“quase explícita” pois interpreto que alguém que fala de algo com alguém quer uma opinião no fim) Eu, idiota como sou, dei minha opinião. E recebi incontáveis patadas.

Chega a ser engraçada toda essa situação, a criatura era tão mesquinha que não gostou de ouvir o necessário: a verdade. Justificável, já que praticamente ninguém está preparado para ouvir a verdade. Pior ainda ouvir isso de outra pessoa, ainda mais se este outro supostamente estiver numa situação mais equilibrada.

Essas mazelas eram coisas mínimas, bastava mover alguns centímetros de vontade para reverter a situação. Mas não, a zona de conforto é mais segura. Dolorida, mas segura. Bastava sacrificar um pouco de orgulho.

Eu? Aprendi que devo tomar cuidado com esse tipo de coisa, enxerguei algumas possibilidades e supostamente evolui.

A pessoa? Continua na mesma: mesquinha, medíocre, distribuindo patadas, fugindo da verdade e amaldiçoando o destino. E vai continuar eternamente assim enquanto não encarar os fatos.

Enquanto isso continuo agarrando as oportunidades preciosas. E ainda me chamam de insensível… Acontece que só me apeteço por aqueles que se deixam.

vampirismo – mão única – trem descarrilhado

2009 Outubro 14

Ferrorama, upload feito originalmente por FaruSantos.

Sou vítima dessas três coisas – vampirismo, mãos únicas e trens descarrilhados – o tempo todo. Talvez por ser um pouco masoquista eu até gosto disso, mas uma sequência de acontecimentos me fizeram perceber que não preciso, não quero, não devo.

Ah, cansei disso. Daquele que só quer saber de você pra sugar sua energia vital e animação, aqueles que só de olhar você sente sua energia sendo drenada. Os “mão única” quero dispensar por não estarem interessados em mim – presos em seu mundo perfeito, aonde tudo orbita em volta do ego, sendo o universo exterior dispensável. E tenho que deixar todos os “trens descarrilhados” se descarrilharem por aí, sem mim – cansei de ser atropelado.

Solução não existe, parasitas estão em todo o canto. Mas já cansei de ter minha energia drenada loucamente.

Meu principal problema é que eu realmente amo as pessoas e gosto de expressar isso, por mais que não possa parecer e por mais que eu seja duro, crítico, ácido, realista. Isso pois eu me importo com os outros, de coração. Adiei várias e várias vezes uma mudança de postura severa, agora vejo que não vale a pena. E não vale a pena também gastar meu amor com estes, agora só resta o desprezo.

Por isso mesmo já preparei (e já estou utilizando) as estacas, garrafas de água benta, helicópteros e granadas. A brincadeira cansou, chega.

Mate os vampiros, encontre outra rota, exploda os trens. Let’s live to the fullest.

Energia

2009 Outubro 7
por Farley

sfp

-Ue, como assim você gosta de música japonesa?
-Gostando, oras.
-Mas você não entende nada das letras!
-Não preciso entender.
-Não vejo sentido. Qual é a graça?
-Eu capto a energia da melodia, a energia do vocal, a energia dos instrumentos. Isso já é suficiente. No fim a letra é só um extra.
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Complicações

2009 Setembro 29

Complicated, upload feito originalmente por m4r00n3d.

Agradeci ao garçom, devolvi a lista e liguei para o Hotel do Golfinho. Uma voz masculina não muito nítida me disse que no momento só tinham quartos de casal ou de solteiro vagos. Em dúvida, perguntei que outro tipo de quarto havia além dos de casal ou de solteiro. Nenhum, informou-me a voz. Fiquei um pouco confuso, mas de qualquer modo, reservei o de casal e perguntei o preço. Era quarenta por cento mais barato que o esperado.

Complicar é uma arte? Ou é somente uma reação natural da alma humana? É estranho.

Todos os dias eu tento simplificar minha (já simples) vida… no fim acabo é complicando mais, inventando regras, criando maluquices. Seria uma reação da mente? Revanche da angustiante alma? Talvez por conta disso ser uma tentativa de querer ser o que na verdade eu não devo ser… Não sei.

Talvez isso tudo apareça justamente por conta da simplificação: as coisas se tornam monótonas, paradas. E numa tentativa desesperada de se sentir vivo cada ser inventa algo estranho e complicado pra se ocupar. Tem aqueles também que são inatamente complicados e enrolados, inventam tantas coisas que acabam sufocados. Já eu me afogo no pouco.

Ou seria uma maneira de auto afirmação? “Eu fiz tal coisa de tal maneira. Foi quase impossível de tão complicado, existia uma maneira bem mais simples, mas como sou o tal eu consegui!”. Não posso criticar, as vezes faço isso (e me sinto muito bem).

Percebo, enfim, que é necessário. É angustiante, entorpecente, venenoso, mas é necessário. Mas não existe coisa mais complicada e empolgante do que lutar contra a complicação.

Susto

2009 Setembro 22
por Farley

susto

A realidade me assusta. Mas as vezes eu trapaceio e inverto os papéis. É algo difícil de se realizar, mas quando acontece os resultados são bem interessantes…

Velocidade

2009 Setembro 15
por Farley

velocidade

Mundo louco esse. Essa velocidade super-sonica em que o mundo anda me deixa atordoado. Eu mesmo acho engraçado quando vai chegando o fim do ano e as pessoas falam “nossa, esse ano passou rápido!”, todo ano alguém me fala isso e eu acho graça. Será que esse ano realmente passou mais rápido que o anterior?

A velocidade trás urgência que trás dor de cabeça que trás loucura e que trás a inquietude (rá!). Veja a situação: despertador toca, corpo ainda cansado, enrola 5 minutos, eita… atraso, corre pro banho, toma café de qualquer jeito, corre pra parada pra não perder o ônibus, na viagem fica repassando mentalmente milhões de coisas aleatórias, corre pro trabalho e assim continua a loucura… por consequência a vida parece rápida, curta, maluca, insana. É, até que é um pouco verdade… ou não.

Mas acho que o pior é a mente e a consciência se acostumarem com  essa velocidade toda (ou será que é uma espécie de submissão?), tentando trabalhar freneticamente mesmo quando não deveria. Exemplo: domingo de tarde, você está completamente atoa… ao invés de aproveitar a preguiça e a tranquilidade a mente fica martelando lá no fundo “Hey, você deveria estar fazendo algo! Sai dessa cama, levanta e vá fazer qualquer coisa!” Pra piorar isso só gera mais ruído na mente e acaba que você fica pensando 90% do tempo nas mesmas coisas de sempre, evoluindo nada. Complicado.

A solução? Tenho alguns palpites, tentei algumas coisas, mas nada concreto. Talvez o melhor seja não se importar com isso? Just let the speed mend it.

…agora me dê licença, tenho que correr, estou atrasado.

Confusão de sentidos

2009 Setembro 13

confu
-Me diga uma coisa – disse Sumire -, nunca se sentiu confuso em relação ao que está fazendo, como se não fosse a coisa certa?
-Passo mais tempo confuso do que não confuso – respondi.
-Fala sério?
-É isso.

…e é assim, na confusão, que surge a inquietude fervilhante.